Aprendendo a aprender

Volta e meia me vejo em conversas que têm como tema as relações entre alunos e as instituições de ensino. Sempre – nestas situações – me lembro de um post de 2003 do blog do Kottke que fala sobre o que precisamos entender para aprender. Ele cai como uma luva para explicar e dar suporte a  várias argumentações que construímos neste tipo de conversa. Entretanto, como ele não citava a fonte das informações em seu post, eu me sentia reticente ao me referir ao texto.

Só que hoje eu estou com tempo (super sarcasmo mode on) e resolvi traduzir a lista de ítens a considerar quando queremos aprender algo (minha tradução do título do post). Poque mesmo que não venha de uma fonte que eu consiga identificar, é um texto bacana e pode auxiliar muita gente.

O engraçado é que o Kottke postou a lista justamente por causa de uma situação específica em que ele e alguns colegas de trabalho (o texto é da época em que ele ainda não vivia de ser dono de blog) passaram. Ou seja: encaixa-se bem com as situações com as quais eu me deparo de quando em vez.

Sem mais delongas, então, a lista de coisas a considerar quando queremos aprender algo:

1. Release the need to be right.
1. Livre-se da necessidade de estar sempre certo. Isso é bastante interessante. Nem eu estou ali por acaso (quero aprender) e nem a pessoa que foi colocada alí (ou que eu escolhi) para me ensinar sem que houvesse uma razão (normalmente baseada na competência) para tanto. Então, embora pareça óbvio, é sempre legal lembrarmos que para aprender, precisamos entender que não sabemos algo e que isso nos será ensinado ou nos ajudarão a descobrir. Assim sendo, é bem provável que – durante o processo – venhamos a cometer algum erro. Ou seja: não estamos sempre certos. Então, que nos livremos dessa necessidade, né?

2. Welcome one another’s thoughts and opinions.
2. Agradeça e esteja aberto a ouvir os pensamentos e opiniões dos outros. Esta é bem legal. É bem freqüente alunos irem pra casa com dúvidas após uma aula. Isso é péssimo. Mas acontece porque muita gente recrimina o aluno que pergunta durante a aula. Que tal sermos mais tolerantes com isso? Outra situação bem freqüente é a de uma pessoa achar que está correta (não levando em conta o ítem anterior) e, por conseqüência, as outras – que por ventura tenham opiniões contrárias ou mesmo um pouco diferentes – estão erradas.

3. Suspend judgment.
3. Suspenda os julgamentos. Para aprendermos, temos que estar abertos ao que nos é oferecido. Segurar um pouco nosso ímpeto de julgar (ou mesmo pré-julgar) as coisas que chegam pra gente.

4. Listen for understanding, not rebuttal.
4. Escute buscando o entendimento, e não apenas para construir contra-argumentações.Essa é também uma boa. E complementa os ítens anteriores. É muito comum as pessoas confundirem o desenvolvimento de senso ou olhar crítico com do desenvolvimento de um comportamento de criticar tudo o que lhe é apresentado. É sempre bom lembrar que são duas coisas bem diferentes.

5. Make personal statements by using “I” rather than “you”.
5. Faça suas considerações pessoais usando o “eu” ao invés do “você”. Normalmente as pessoas quando adotam a postura de criticar tudo e todos, não fazem qualquer referência a si mesmos, sempre falando (provavelmente mal) dos outros. Para nos colocarmos em condições de aprender algo, devemos adotar esta postura. Isso evita que fiquemos falando das coisas dos outros e falemos mais de nós (as críticas tendem a diminuir).

6. Clarify first what was said before you challenge someone.
6. Torne claro o que foi dito anteriormente (por você ou por outros) antes de desafiar alguém numa argumentação. Normalmente as argumentações e embates de idéias acontecem de forma bem calorosa quando há ataques.  E isso tudo se origina (em grande parte das vezes) porque alguma idéia não ficou clara. Tentemos então deixar as coisas bem claras antes de partirmos para o embate, que tal?

7. Take time to reflect.
7. Tire um tempo para refletir. Isso serve para que tenhamos como “digerir” o que chegou até nós. Se não dermos tempo para fazer isso, as nossas conclusões podem não ser as mais legais. E em tempos de imediatismo exacerbado catalizado pela velocidade ta troca das informações, a gente tende a eliminar este tempo para refletir. Pior pra gente. Portanto, nunca é demais reforçar a máxima de pensar antes de falar e de agir.

8. Lean into discomfort.
8. Apóie-se (acostume-se a apoiar-se) no desconforto. É das situações de desconforto que a gente consegue chegar às soluções mais geniais. Assim é no campo das idéias e da reflexão. Aprender é coloca-se no estado de desconforto, uma vez que você não sabe a coisa. A posição desconfortável de não saber ou não compreender algo é primordial para que possamos chegar ao ponto do entendimento compreendendo o processo de busca (o que é mais importante do que saber a coisa em si).

9. Respond first to what was said before making your point.
9. Responda primeiro à pergunta (ou afirmação) feita e depois exponha sua idéia. Isso é bacana para que as coisas fiquem claras (6) e também para que a gente possa evitar falar dos outros (5) e atacar (4) os interlocutores.

10. Have fun.
10. Divirta-se. Quando a gente aprende a aprender, o processo (que é o mais importante) deixa de ser tedioso e passa a ser divertido.

Então… Embora com cinco anos de diferença, é sempre legal agradecer ao Kottke por ter tornado a lista pública. E foi ótimo tirar da cabeça estas argumentações que fervilham aqui na cabeça desde 2003 quando tive contato com a lista.

Espero que ajude alguém a aprender melhor; respeitando colegas, instituições e professores.

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