Desacelerar um pouco

A frase que dá título a este post é a última coisa que o funcionário público entrevistado na matéria que eu assisti no Jornal Hoje de hoje e fala sobre o tempo, o que fazemos com ele e nossa percepção dele. E é o que vou fazer: desacelerar um pouco.

Embora a profundidade do conteúdo deixe bastante a desejar, é legal prestar atenção em alguns conceitos que permeiam o texto.

Um deles, o principal a meu ver, é o mal que fazemos a nós mesmos quando enchemos o nosso dia com atividades que muitas vezes são desnecessárias e isso acaba colocando a gente numa posição de escravidão destas tais atividades. Na hora em que falaram isso na TV, imediatamente me lembrei da birra que tenho das coisas que deveriam facilitar o nosso dia-a-dia (ou pelo menos prometem isso) e acabam por deixá-lo mais atribulado.

As ferramentas de microblog (TwitterPlurk e Identi.ca por exemplo) que a gente usa sem saber muito bem o motivo e não consegue tirar algo de útil consolidam excelentes exemplos de buracos que nós mesmos fazemos em nosso tempo detonando com a nossa produtividade.

Manter um perfil em qualquer um destes serviços implica em empreender uma dedicação quase hercúlea de “ter que acompanhar” tudo o que está acontecendo a cada minuto. Não sei se com todo mundo é assim, mas também não creio que seja exatamente o oposto. Não usar a ferramenta desse jeito parece não ser a forma mais adequada de tirar o tal proveito prometido da coisa. Tudo ali tem uma hora e essa hora é “a” hora. Não parece ser possível “pegar a coisa depois”. É sempre o “agora”. E isso enche o saco.

Não dá para acompanhar o que acontece por meio de um feed RSS por exemplo. Embora exista esta opção, a quantidade de coisa que você tem que ler até achar algo razoavelmente bacana é enorme. Além disso, com o feed perde-se o “agora”. E ai, já era.

Sei que muitos vão refutar estas afirmações falando que são “pessoas multi-tarefa” e que ao mesmo tempo que usam o Twitter, trabalham. Não sei se isso funciona de verdade. Basta vermos nas escolas o fraco desempenho dos alunos que representam a juventude multi-tarefa tão exaltada pelo Fantástico e afins. Estes jovens que dizem conseguir estudar, assistir TV e acessar a internet ao mesmo tempo são os mesmos que não conseguem fazer um exercício simples de interpretação de texto.

Usar o Twitter, por exemplo demanda a dedicação de escrever sempre, manter diálogos e acompanhar várias pessoas, pois do contrário, você só fica sabendo parte das conversas. Isso toma um tempo danado. Não é raro perceber que estamos há uns dez minutos só lendo o que outras pessoas estão falando sobre nada específico ou útil. E aí, meu caro, a sua hora passa a ter só 50 minutos… Sua produtividade diminui e quem sai perdendo é você.

Não pretendo, de maneira alguma, iniciar uma cruzada contra estes serviços. Muito embora eu viva contestando a sua utilidade, acho que cada um sabe o que faz com sua produtividade. Apenas gostaria de suscitar esta reflexão.

Ontem eu deletei minha conta no Plurk e hoje desativarei as outras contas. Como disse, quero desacelerar um pouco. Fazer uma coisa de cada vez para poder ter mais tempo livre e dedicar mais tempo a coisas que me importam.

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