Sobre o valor das redes

Eu pretendia fazer uma longa reflexão sobre o assunto por aqui, mas acho que se eu for direto ao assunto, a chance de ser mais eficiente na mensagem é maior.

Pois bem. Muito se argumenta sobre o valor dos serviços de redes sociais como o Orkut, o Facebook, LinkedIn e – mais recentemente – o Google +. Até o Twitter, que nem ferramenta de rede social é, recebe atenção neste tipo de discussão. No Brasil, estas argumentações sempre são acompanhadas de questões como “A orkutização do X ou do Y” (sempre num tom pejorativo).

É legal pararmos um pouco e discutirmos isso tudo. Inclusive esta falácia da tal orkutização.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que o que mais vale nestas ferramentas é o poder de visualizar as redes das pessoas. Isso, pura e simplesmente, já justifica a existência destas ferramentas e ajuda a explicar muito de seu valor. Por exemplo: se não fosse o Facebook (ou Orkut ou Google + ou qualquer outra ferramenta que você quiser), você não saberia a lista completa das pessoas com as quais eu me associo. Se você me conhece pessoalmente, as chances são de você ter apenas uma ideia de quais são as outras pessoas que eu conheço (porque eu eventualmente falei de algumas delas ou porque você já me viu conversando ou trabalhando com alguém). Nessas ferramentas, você pode ver os meus demais contatos de uma maneira bastante completa. Ou seja: você pode ver – de uma forma organizada e sem precisar me acompanhar durante as 24 horas do dia – todas as minhas conexões; não só aquelas que você teve a sorte de ver quando estava compartilhando comigo um lugar e um momento específicos. Isso transfere a ferramenta o valor que antes estava centrado no contato em si.

Obviamente, além dos contatos, você vai ter uma boa noção das coisas que eu gosto e daquilo que eu faço (o valor destas ferramentas está aqui também, mas neste post, me concentrarei na questão das associações).

Assim sendo, a ferramenta (e as informações que estão registradas nela) valerá mais se as redes que ela documentar forem verdadeiras. Por isso, o Orkut ainda vale muito e o Facebook vai continuar valendo bastante; mesmo com a chegada de um Google + da vida ou de vários outros. Na real, todas estas ferramentas têm o potencial de valer um bocado, desde que as informações que forem registradas sobre as redes das pessoas forem reais. Assim sendo, por mais que as classes C, D, E ou Z passem a usar uma ferramenta ou outra, seu valor não cairá por causa disso. Ele cairá se as informações ali representadas não forem reais. Assim se desfaz a falácia da orkutização. Este tom pejorativo simplesmente não existe. O que existe é um “complexo de classe média” que devemos lutar para extinguir.

Ou seja: a única maneira de você contribuir de verdade para um retrocesso no valor da rede como um todo é se associar a uma pessoa que não é sua amiga de verdade. Cada vez que você faz isso, está ensinando uma mentira para a ferramenta e a rede que é representada – por causa desta mentira – vale um pouco menos.

É por isso que no Facebook, pessoas públicas preferem usar páginas e não perfis pessoais para fincarem seus pés na rede. E é por isso que o Google + (com seu esquema assíncrono de círculos)  inova.

Em tempo: é por isso também que estou usando mais e mais o Google +. E acho que ele vai acabar por substituir toda a minha presença nestas ferramentas. Afinal, no LinkedIn, já foram tantas as pessoas que nunca ouvi falar na vida que me adicionaram que a minha rede lá não vale mais nada. No Facebook, idem. O Orkut já não uso há tempos. Sobrou apenas o Google +, que uso e procuro manter bem atualizado com círculos bem definidos e contendo pessoas que efetivamente fazem sentido estar lá.

Enfim… Antes de profetizar que a ferramenta X vai matar a ferramenta Y, os oportunistas deslumbrados de plantão precisam estudar um pouco sobre redes sociais… E descobrir que o valor de uma rede está – além das pessoas – nas conexões destas pessoas e nas informações que elas colocam nestes serviços.

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